Amazonia (IV), por Fernando Lopez sj

Amazonia, tierra de todos (VII): las amenazas, por Ines Dieppa

Impresiones sobre el foro social (II)

Mujeres en La Palabra, por Trinidad Viña

 

 

AMAZONÍA (IV): REGIÓN GEOPOLÍTICA ESTRATÉGICA DEL MUNDO

Fernando López sj vive en la Amazonía, trabaja en el Equipo Itinerante de la Amazonía. Es palmero. Con este artículo, acaba la serie.

Amazônia:
Região Geopolítica Estratégica
do Mundo

Em primeiro lugar está Oriente Médio devido ao petróleo que é o recurso natural energético que movimenta até hoje o mundo. É por isso que os poderosos e as grandes potencias não tiram o pé (“a bota”) do Oriente Médio para poder controlar o petróleo e assim continuar dominando o mundo. Não é por acaso que depois da Segunda Guerra Mundial as guerras e conflitos em Oriente Médio são contínuos e em todos eles sempre esteve envolvido EUA.

A Amazônia é uma região estratégica do mundo devido à potencialidade de seus enormes recursos naturais: a biodiversidade, princípios ativos, engenharia genética, minérios estratégicos, oxigênio e especialmente água doce, serão disputados pelos grandes sem que os pequenos da região participem, nem contem para nada.

Por outro lado, a biopirataria e o contrabando, o narcotráfico, a guerrilha, os para-militares, as máfias de todo tipo e, como resposta a tudo isso, a crescente militarização da região, são fatores que complicam ainda mais a situação da Amazônia e a convertem em um cenário com alto potencial de conflito.

Tudo parece indicar que em 20 ou 30 anos, se não antes, a Amazônia poderia ser um outro Oriente Médio. Isto dependerá do desenvolvimento das novas tecnologias e recursos energéticos vinculados à biodiversidade. Recordemos também que na Amazônia se concentra o 20% da água doce do mundo e que a água doce é o bem estratégico mais cobiçado deste terceiro milênio pelo que as grandes potencias disputarão seu controle (“guerra da água”).

 

Por todos esses interesses, os outros nos pensam...

Devido a todos esses recursos naturais e potencial de riqueza que tem a Amazônia é que os poderosos pensam esta região a partir de seus interesses de ambição e poder. Eles nos pensam a partir de seus grandes projetos sem ter em conta os povos da região, sua cosmovisão e seus interesses particulares.

Fontes dos mapas: OIPAZ (Observatório Internacional por la Paz)

Por isso, os outros nos pensam como
Área de Livre Comércio para as Américas – ALCA.
Para o mercado neoliberal capitalista América Latina
é vista como 500 milhões de consumidores!

Por isso, os outros nos pensam como
corredores transoceânicos que conectem
comercialmente o Atlântico com o Pacífico
(oceano estratégico do terceiro milênio).
São os grandes de Integração da Infra-estrutura
Regional Sul-Americana (IIRSA).

Por isso, os outros nos pensam a partir do
petróleo, gás e das jazidas de mineiro
estratégicos que existem no continente.

 

 

Por isso, os outros nos pensam
como zonas estratégicas de
biodiversidade e fontes de água doce:
O 80% da biodiversidade e o 20 % da água doce
do planeta está na Amazônia.

Por isso, os outros nos pensam a partir
de uma visão “perigosa” dos movimentos sociais
que ameaçam seus interesses: Zapatistas em Chiapas,
levantamentos indígenas em Equador e em
Bolívia, movimentos de resistência em
Venezuela, o MST (Movimento dos Sem-Terra)
no Brasil, etc.

Por isso, os outros nos pensam
a partir da instalação de suas bases militares
situadas estrategicamente na região. Por citar algumas:
Tres Esquinas, Larandia e Puerto Leguizamo (Colombia),
Manta (Equador), Iquitos e Nanai (Peru), Vieques (Puerto Rico),
Reina Beatriz (Aruba), Hato (Curazao), Soto Cano (Honduras), Libéria (Costa Rica), Comalapa (El Salvador), Guantanamo (Cuba), etc.

 


Como podemos somar com a Amazônia?

E frente a tudo isso... Não podemos ficar parados esperando as coisas acontecer!

Por todos esses enormes desafios geopolíticos, pelos impactos ambientais locais e globais e, sobretudo, pela enorme riqueza e diversidade de povos e culturas pressentes na Amazônia, muitas vezes excluídas e ameaçadas de extinção, a Amazônia é hoje um campo de Missão de Fronteira!

E nós, como Igreja, como pensamos a Amazônia? O que podemos fazer? A partir da visão e da lógica dos povos da região e das igrejas locais, como somar com eles?

 

A enorme diversidade de povos e culturas presentes na Amazônia é expressão do rosto diverso e plural de Deus. Não podemos deixar que os interesses econômicos e de poder destruam essa riqueza humana e ambiental. Como denunciavam os Bispos Amazônicos reunidos em Manaus em outubro de 2005:

“O mundo perde histórias e cosmovisões sagradas de povos esteiros que se inserem na História da Salvação”.