Cuarta y última entrega. Esta vez, nos adentramos en los grupos que están en Brasil. Fernando López nos presenta su análisis y sus propuestas .
Nesta itinerância percebemos muitos sinais de vida, uma Igreja que caminha embora com dificuldades, alguns desafios e lacunas.
Alguns sinais de vida: Muitos povos indígenas, terras demarcadas, lideranças atuantes, bom número de religiosos, padres, voluntários da França e Espanha, presença de comunidades quilombolas, entre outras, agricultura familiar, catequese familiar e escola família agrícola.
Muita rotatividade dos padres, religiosas/os e lideranças leigas. Há um eterno recomeçar. Há muito autoritarismo eclesial, associado a isso ainda muito paternalismo o que dificulta todo o trabalho pastoral nas paróquias e comunidades. Persistem os conflitos de terras indígenas, seringais, quilombos, fazendeiros e madeireiros. Muito êxodo rural (migração, inchaço das cidades). Carece de um trabalho em conjunto e formativo das lideranças. Povo ainda bastante acomodado e sem muita perspectiva econômica. É forte a presença das Igrejas evangélicas, a presença de Israelitas na região preocupa. Educação falha, fraca, bem como a saúde. Na questão indígena a FUNAI mais atrapalha do que ajuda, poucos missionários e por vezes, trabalho isolado. As paróquias não conseguem ser autônomas economicamente. Tudo vem de fora.
A entrada da soja no sul do Estado, avanço das fazendas em direção ao rio Guaporé, o desaparecimento das madeiras nobres. A desintegração familiar, violência, drogas, prostituição, pobreza, desemprego, preconceitos e bebedeiras. Vários povos indígenas numa mesma área, outros tantos nas cidades.
Que surja uma equipe de trabalho conjunto na fronteira e no rio. Pe Zezinho e Frei Danilo estão sozinhos em suas regiões (Guaporé e Madeira). Ir, aos poucos, dando um rosto próprio à Igreja local (não copiar modelos de fora). Desenvolver o espírito comunitário. Seria bom que chegassem mais religiosas na região. Implantação da Cáritas onde ainda não existem. Um maior número de agentes nas pastorais, principalmente a indígena. Que os povos indígenas sem suas terras tradicionais possam conquistá-las.
Na questão econômica que a cooperativa dos pequenos cafeicultores se torne realidade. Que a agricultura familiar e orgânica se concretize no município (S.Francisco) ou região em parceria com a CPT. Troca de experiências e sementes. Potenciar políticas públicas. Fortalecer e apoiar às associações de seringueiros e buscar potenciar a auto-sustentabilidade com projetos alternativos (mel, polpa de frutas, peixes, eco-turismo, helicônia, manejo pesqueiro e outras alternativas mais).
A região tem seu potencial econômico, político, religioso através de seu povo quer tradicional ou migrante. Cada qual com suas riquezas próprias. O que se faz necessário é ir tecendo redes e cruzar experiências a fim de tornar os mesmos, sujeitos e agentes da própria vida, história e realidade.
Povo Rikbaktsa não deixa entrar os madeireiros, algo altamente positivo em vista do desmatamento existente na região e no Brasil.
III.- Proposta
Tendo como ponto de partida esse trabalho de reconhecimento, levantamento de dados e a partir das necessidades locais da região por onde itineramos, as sub-equipes que realizaram o trabalho ficaram sensibilizadas com os apelos das Igrejas, organizações e lideranças locais. Todos esses grupos citados acima apresentaram interesse na abertura de um novo núcleo na região.
A equipe itinerante seria uma presença solidária, amiga, animadora e complementar junto aos camponeses, indígenas, ribeirinhos e quilombolas apoiando as iniciativas que já existem e sendo um elo de ligação entre as instituições presentes a ambos os lados das três fronteiras.
No momento de partilha das 4 equipes, que aconteceu em Porto Velho - RO (Brasil), dias 01 e 02/09, foram apresentados alguns locais onde poderia ser a futura sede desse novo núcleo. Os locais citados foram:
Para que esse novo núcleo se torne realidade é preciso que missionários/as das organizações e igrejas locais se sintam motivados a integrar esse núcleo. A nova comunidade poderia surgir com duas pessoas vindas das comunidades já existentes (por exemplo, uma do núcleo Manaus e outra do núcleo Tabatinga), acrescida com voluntários/missionários enviados pelas igrejas e organizações locais.
É muito importante que aquelas pessoas que tenham interesse em se integrar a este projeto, entrem e mantenham contato com os/as missionários/as que visitaram a região para tomar maior conhecimento do Projeto da Equipe Itinerante e dos critérios para trabalhar nele.
Coragem! Que sonho que se sonha juntos se converte em realidade!