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Revista digital de reflexión y diálogo. Del 14 al 20 de Noviembre
Una itinerancia de reconocimiento en la triple frontera Perú-Bolivia-Brasil (IV).
Por Fernando López sj.
Foto de José Antonio Morillas

Cuarta y última entrega. Esta vez, nos adentramos en los grupos que están en Brasil. Fernando López nos presenta su análisis y sus propuestas .

3. Equipe Acre (Brasil)

3.1. Realidade conjuntural política e social e econômica

  • Concessões florestais
  • Desmatamento- queimadas
  • Seca , rios secos
  • Prostituição , droga, gravidez na adolescência, narcotráfico
  • Fazendas (latifúndios)
  • Ribeirinhos
  • Seringueiros
  • Economia: extrativismo (castanha, borracha), agricultura, comércio, funcionalismo público municipal e federal, aposentados, poucas indústrias.
  • Alto custo de vida alto (cidades isoladas)
  • Migração indígena para cidade
  • Isolamento das comunidades indígenas e ribeirinhas
  • Projetos governamentais : comunidades indígenas e rurais
  • Violência do IBAMA e PF com relação aos indígenas da Serra do Divisor
  • Conflito entre indígenas e seringueiros

3.2. Realidade de fronteiras

  • Rotas de tráfico clandestinas
  • Roubos
  • Contrabando
  • Abuso sexual
  • Migração
  • Droga
  • Ação governamental - pontes do Pacífico e Brasiléia- Cobija
  • Presença forte da Polícia Federal para fiscalização
  • Propina para passar nas fronteiras
  • Ensaio de um trabalho em conjunto com relação aos indígenas entre as três fronteiras: Padres e missionários do CIMI com lideranças indígenas
  • Invasão dos peruanos nas terras indígenas para extração de madeira

3.3. Realidade eclesial

  • Religiosidade popular - santos das florestas, novenários, romarias,
  • Festas tradicionais comunitárias do povo
  • Continuidade de algumas presenças proféticas
  • Maior investimento na dimensão social
  • Necessidade de maior presença eclesial entre ribeirinhos e indígenas

3.4. Movimentos Sociais e Organismos CIMI e CPT

  • Esfriamento de líderes de movimentos/ passou de reivindicatórios para executores da gestão
  • Concessões florestais: modo de ludibriar a lei e destruir a floresta
  • Boa ação do CIMI e da CPT
  • Trabalho em conjunto CPT e CIMI

3.5. Desafios

  • Desmatamento / queimadas /clima descontrolado
  • Concessões florestais
  • Latifúndio agropecuário
  • Dificuldade de escoamento dos produtos
  • Estradas precárias ( ramais)
  • Escassez de peixe e caça /sustentabilidade
  • Ausência de lideranças no interior
  • Falta de mais escolas e energia no interior
  • Necessidade de novas formas de organização
  • Formação de novas lideranças

3.6. Perspectiva de Fronteira

  • Articulações dos indígenas: encontros marcados para o próximo ano - 2006
  • Pe. Luiz do Peru pede ajuda do CIMI para um trabalho de conjunto

4. Equipe Rondônia (Brasil)

4.1. Síntese da Situação

Nesta itinerância percebemos muitos sinais de vida, uma Igreja que caminha embora com dificuldades, alguns desafios e lacunas.

Alguns sinais de vida: Muitos povos indígenas, terras demarcadas, lideranças atuantes, bom número de religiosos, padres, voluntários da França e Espanha, presença de comunidades quilombolas, entre outras, agricultura familiar, catequese familiar e escola família agrícola.

4.2. Lacunas: Lacunas levantadas e expressadas pelas pessoas contatadas:

Muita rotatividade dos padres, religiosas/os e lideranças leigas. Há um eterno recomeçar. Há muito autoritarismo eclesial, associado a isso ainda muito paternalismo o que dificulta todo o trabalho pastoral nas paróquias e comunidades. Persistem os conflitos de terras indígenas, seringais, quilombos, fazendeiros e madeireiros. Muito êxodo rural (migração, inchaço das cidades). Carece de um trabalho em conjunto e formativo das lideranças. Povo ainda bastante acomodado e sem muita perspectiva econômica. É forte a presença das Igrejas evangélicas, a presença de Israelitas na região preocupa. Educação falha, fraca, bem como a saúde. Na questão indígena a FUNAI mais atrapalha do que ajuda, poucos missionários e por vezes, trabalho isolado. As paróquias não conseguem ser autônomas economicamente. Tudo vem de fora.

A entrada da soja no sul do Estado, avanço das fazendas em direção ao rio Guaporé, o desaparecimento das madeiras nobres. A desintegração familiar, violência, drogas, prostituição, pobreza, desemprego, preconceitos e bebedeiras. Vários povos indígenas numa mesma área, outros tantos nas cidades.

4.3. Sonhos e Perspectivas:

Que surja uma equipe de trabalho conjunto na fronteira e no rio. Pe Zezinho e Frei Danilo estão sozinhos em suas regiões (Guaporé e Madeira). Ir, aos poucos, dando um rosto próprio à Igreja local (não copiar modelos de fora). Desenvolver o espírito comunitário. Seria bom que chegassem mais religiosas na região. Implantação da Cáritas onde ainda não existem. Um maior número de agentes nas pastorais, principalmente a indígena. Que os povos indígenas sem suas terras tradicionais possam conquistá-las.

Na questão econômica que a cooperativa dos pequenos cafeicultores se torne realidade. Que a agricultura familiar e orgânica se concretize no município (S.Francisco) ou região em parceria com a CPT. Troca de experiências e sementes. Potenciar políticas públicas. Fortalecer e apoiar às associações de seringueiros e buscar potenciar a auto-sustentabilidade com projetos alternativos (mel, polpa de frutas, peixes, eco-turismo, helicônia, manejo pesqueiro e outras alternativas mais).

A região tem seu potencial econômico, político, religioso através de seu povo quer tradicional ou migrante. Cada qual com suas riquezas próprias. O que se faz necessário é ir tecendo redes e cruzar experiências a fim de tornar os mesmos, sujeitos e agentes da própria vida, história e realidade.

5. Equipe Mato Grosso (Brasil)

5.1. Desafios:

  • Fortalecer o que já existe, sobretudo as equipes.
  • Formar outras equipes em locais necessitados para atender, onde ainda não tem atendimento – ser equipe FORMADORA de equipes (por ex. nos Chiquitanos na fronteira do Brasil (MS) com a Bolívia; nos Guaranis na divisa do Mato Grosso do Sul e Paraguai; junto aos Terenas na divisa do Mato Grosso com o Pará...)
  • Inter-relacionamento e fortalecimento das equipes volantes: BMT e Equipe Itinerante.
  • Em Amambaí/MS (Guarani): Há uma proposta de parceria com a universidade salesiana de MS/CIMI/Equipe Volante

5.2. Perspectivas:

  • Maior articulação entre as duas equipes sem perder suas especificidades
  • Localização da equipe (local sede) que facilite a proximidade entre as duas equipes
  • Possibilidade de integrar vocacionados da Comunidade Vocacional de Porto Velho na equipe itinerante, bem como estudantes SJ em estágios e/ou em tempo de magistério
  • Os Bororos pediram um curso de medicina alternativa para início de outubro: Bioenergético, geoterapia, fito terapia.... medicina indígena.

5.3. Sonho realizado:

Povo Rikbaktsa não deixa entrar os madeireiros, algo altamente positivo em vista do desmatamento existente na região e no Brasil.

III.- Proposta

Tendo como ponto de partida esse trabalho de reconhecimento, levantamento de dados e a partir das necessidades locais da região por onde itineramos, as sub-equipes que realizaram o trabalho ficaram sensibilizadas com os apelos das Igrejas, organizações e lideranças locais. Todos esses grupos citados acima apresentaram interesse na abertura de um novo núcleo na região.

A equipe itinerante seria uma presença solidária, amiga, animadora e complementar junto aos camponeses, indígenas, ribeirinhos e quilombolas apoiando as iniciativas que já existem e sendo um elo de ligação entre as instituições presentes a ambos os lados das três fronteiras.

No momento de partilha das 4 equipes, que aconteceu em Porto Velho - RO (Brasil), dias 01 e 02/09, foram apresentados alguns locais onde poderia ser a futura sede desse novo núcleo. Os locais citados foram:

  • Cobija (Bolívia) – Brasiléia (Brasil)
  • Iñapari (Peru) – Assis Brasil (Brasil) – Bolpebra (Bolívia)
  • Guajará-Mirim (Brasil) – Guayaramirin (Bolívia)
  • Riberalta (Bolívia)

Para que esse novo núcleo se torne realidade é preciso que missionários/as das organizações e igrejas locais se sintam motivados a integrar esse núcleo. A nova comunidade poderia surgir com duas pessoas vindas das comunidades já existentes (por exemplo, uma do núcleo Manaus e outra do núcleo Tabatinga), acrescida com voluntários/missionários enviados pelas igrejas e organizações locais.

É muito importante que aquelas pessoas que tenham interesse em se integrar a este projeto, entrem e mantenham contato com os/as missionários/as que visitaram a região para tomar maior conhecimento do Projeto da Equipe Itinerante e dos critérios para trabalhar nele.

Coragem! Que sonho que se sonha juntos se converte em realidade!

Anchieta. Red Ignaciana de Canarias. Revista digital de reflexión y dialogo.